O policial militar Romildo Leobino, de 46 anos, é o primeiro paciente do Maranhão a receber o tratamento experimental com polilaminina. Ele foi baleado no pescoço durante uma operação de combate ao tráfico de drogas no município de Bom Jardim, no dia 15 de janeiro deste ano.
O procedimento foi realizado no Hospital do Servidor, em São Luís, 28 dias após o trauma, após autorização judicial. Desde então, familiares e equipe médica relatam sinais positivos na evolução clínica do paciente.
Evolução após o procedimento
De acordo com o boletim médico, após a aplicação da polilaminina foram observados:
Contrações musculares nas mãos e nas pernas;
Retirada da sonda urinária;
Melhora na respiração;
Ganho de força muscular;
Maior controle do tronco.
A equipe médica reforça que Romildo segue internado e sob monitoramento contínuo.
Em vídeo divulgado nas redes sociais pelo filho, Vinícius Henrique, o policial relatou as primeiras mudanças percebidas após o tratamento.
“Após a aplicação da polilaminina já consigo até fazer força nas duas mãos. Ainda não consigo fechar completamente, mas já consigo apertar a mão das pessoas. Estou muito grato. A respiração melhorou significativamente”, afirmou.
Aplicação ocorreu após decisão judicial
A aplicação da substância ocorreu após decisão da Justiça. O protocolo oficial do estudo clínico recomenda que a polilaminina seja administrada em até 72 horas após o trauma. Como esse prazo havia sido ultrapassado, a família entrou com pedido judicial no dia 3 de fevereiro. A liminar foi concedida dois dias depois, autorizando o procedimento.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é estudada há mais de 20 anos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se de uma versão desenvolvida em laboratório da laminina, proteína que atua na formação do sistema nervoso e auxilia na conexão entre neurônios.
A substância é produzida a partir da proteína laminina, presente na placenta humana, e tem como proposta estimular a regeneração de neurônios na medula espinhal. Estudos realizados no Brasil já registraram resultados positivos, incluindo o caso de um paciente tetraplégico que voltou a apresentar movimentos corporais.
Relembre o caso
Romildo Leobino foi baleado durante uma operação da Polícia Militar em Bom Jardim. Segundo a corporação, o policial entrou em uma residência investigada por suspeita de armazenamento de drogas quando criminosos reagiram e efetuaram disparos.
Inicialmente, ele foi atendido em um hospital da própria cidade, mas, devido à gravidade do ferimento, precisou ser transferido de helicóptero para São Luís, onde permanece internado em estado considerado grave.
Após o ataque, a Polícia Militar realizou buscas na região. Dois suspeitos morreram em confronto com os policiais e um terceiro homem foi preso e encaminhado às autoridades competentes.
Pesquisa 100% nacional
A pesquisa com polilaminina é totalmente brasileira e ainda está em fase de estudos clínicos. O protocolo prevê que cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal recebam uma única aplicação da substância até 48 horas após o trauma, sendo acompanhadas por seis meses.
Caso não sejam registradas reações adversas graves, terão início as próximas fases do estudo clínico, que irão avaliar a eficácia do medicamento, as doses adequadas e possíveis efeitos colaterais em grupos maiores de pacientes.
Para que a polilaminina possa chegar aos hospitais e ao Sistema Único de Saúde (SUS), ainda será necessário concluir todas as etapas regulatórias, incluindo:
Finalização da fase 1 de segurança;
Ampliação para as fases 2 e 3, com avaliação de eficácia;
Solicitação de registro sanitário para comercialização.
O caso de Romildo reacende a esperança em torno das pesquisas voltadas à recuperação de lesões na medula espinhal e segue sendo acompanhado por especialistas de todo o país.


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